sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

No Pátio do Colégio

Janeiro lá se foi, mas deixou uma alegria: desta vez, comomorei o aniversário de São Paulo no próprio lugar em que a cidade nasceu, isto é: no Pátio do Colégio - ou, como ainda hoje se escreve, Pateo do Collegio. Estive lá com meu marido, uma prima e um cunhado, em um evento do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, que incluiu uma sessão solene na Capela do Pátio, dedicada a Anchieta, um delicioso café ao som das apresentações de violão e canto (apresentando MPB antiga) e o lançamento do livro do historiador Hernani Donato, "Pateo do Collegio, coraçao de São Paulo". Fomos representar oficialmente na solenidade a família de Benedicto Calixto de Jesus, antigo membro do Instituto Histórico e que tanto retratou nossa cidade no passado.
Foi emocionante ouvir as falas dos palestrantes e imaginar, naquele exato local, 454 anos antes, os jesuítas comemorando o erguimento da capela, que para eles era casa, local de oração e colégio. Há cidades que nascem de uma feira, outras começam numa igreja, outras são inauguradas por desbravadores e conquistadores. São Paulo nasceu de uma escola... talvez isso explique a inconfundível vocação didática desta cidade, que, enquanto cresce, ensina - às vezes de maneira dura, até cruel, mas ensina sempre, para quem está disposto a aprender.
São Paulo é imensa, é múltipla, é mutante. Uma citação antiga dizia: "São Paulo não pode parar..." Mas nao é verdade; a cidade pára, às vezes, como parou naquela tarde em que nós também paramos para pensar nos séculos repletos de ensinamentos que se passaram - desde um dia distante, na colina entre o Tamanduateí e o Anhangabaú, em que um punhado de missionários egueram uma casinha de pau-a-pique e a chamaram Collegio.

Em tempo: a foto acima é de Gilberto Calixto Rios, irmão de meu marido Celso.

sábado, 19 de janeiro de 2008

São Paulo, minha cidade

Esta fotografia foi tirada durante um passeio com amigos no alto do prédio do Banespa, no centro da cidade. A vista é maravilhosa, exuberante, e olha que a gente só abrange um pedaço da imensidão que é São Paulo... não é tão alto quanto subir no Empire State, mas – guardadas as proporções – é tão emocionante quanto.

Dia 25 de janeiro é aniversário de São Paulo. Completa 454 anos, do dia em que os padres Manuel da Nóbrega e Anchieta rezaram lá entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, e dedicaram a igrejinha que ergueram e a vila que se iniciava ao apóstolo dos gentios. Não consigo achar nada mais adequado para se batizar uma cidade do que a homenagem a Paulo de Tarso. Ele foi aquele que abraçou o Cristianismo tardiamente, mudando de caminho numa conversão radical, e a partir daí mergulhando num turbilhão de perseguições e desenganos. É que São Paulo, para muita gente, tem esse caráter de recomeço, mudança de caminho, reconstrução de vida. Mesmo para mim, que nasci aqui, no estado de São Paulo, cidade de São Paulo, maternidade São Paulo (aquela pertinho da avenida Paulista), a vida é uma sucessão de sustos, mudanças, escolhas e novos começos. Sempre.

Logo que este ano começou meu marido encontrou uma raridade num sebo de discos: a gravação da Paulistana, retrato de uma cidade, de Billy Blanco. É uma quase-sinfonia, uma suíte com 15 canções sobre a metrópole. Muita gente conhece uma delas, a que é tocada todo dia às 7 da manhã na rádio Jovem Pan; e nós, paulistanos, não podemos deixar de sentir a emoção do amanhecer da cidade ao ouvir o refrão:

São Paulo que amanhece trabalhando

São Paulo que não pode adormecer...

Eu me emociono, sei lá por quê. Talvez seja porque apesar de todos os problemas, confusões e congestionamentos, adoro minha cidade, e não queria viver em nenhum outro lugar do mundo.

sábado, 22 de dezembro de 2007

O Ano e a Onda...

Um ano não termina no dia trinta e um de dezembro, nem começa em primeiro de janeiro. Os anos são como as ondas do mar, que quebram na areia sem interrupção, sem a gente saber quando termina uma e começa outra...

Algumas são altas e ameaçadoras, outras são gentis e refrescantes, mas todas são mensageiras do mesmo imenso Mar; jamais cessarão, nunca deixarão de vir acariciar a praia.

Que esta passagem de ano seja uma nova onda que vem, suave porém poderosa, trazendo o grito de alegria das gaivotas e o perfume salgado dos lugares distantes. E que, mesmo que desmanche alguns dos nossos castelos de areia, ela nos leve a novas praias e a mergulhos mais profundos nos mistérios insondáveis do Mar.

A gente se vê em 2008, numa praia qualquer...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Minha Coleção de Dragões


Os dragões estão se multiplicando aqui na masmorra...

Eu explico. Em 2005, fui à Inglaterra e, visitando o Castelo de Warwick, próximo à cidade de Birmingham, comprei o primeiro. É um dragãozinho de metal prateado, com uma pedra brilhante no peito e o ar feroz. Dei-lhe o nome de Duque de Warwick; e nem imaginava que ele seria o primeiro de uma série...

Aí fui à Escócia e, claro, trouxe uma miniatura de Nessie para casa. Fiquei pensando: um monstro, ameaçador, com corpo de serpente e vivendo no fundo das águas? Se não for dragão, é seu parente. E assim considerei Nessie meu segundo dragão. O terceiro foi uma miniatura do Nhoc Nhoc, meu personagem do livro infantil O Dragão Comilão. Com 3 dragões para começar, eu já tinha uma coleção! E outros foram chegando. Alguns são chineses, vieram da Liberdade; outros de feiras de artesanato ou de lojas de 1 real... O mais caro até agora foi um dragão com design do Todd McFarlane, que comprei na FAO Schwarz em Nova York. O mais barato foi o Errol, dragãozinho de gesso pelo qual paguei R$1,99, e que tem esse nome em homenagem a um personagem do Terry Pratchett (quem leu Guardas! Guardas! vai se lembrar...). O mais recente lembra o Ouroboros e é escavado em um medalhão de madeira, lindo! Este eu ganhei da Márcia Leite, uma amiga escritora.

Outros virão, certamente, e agora a única pergunta importante é: será que todos eles vão caber na minha masmorra?

Ah, e quem não acredita que eu tenho masmorra em casa, pode perguntar por aí... tenho sim, e apenas os muito corajosos se aventuram a descer aqui! Não apenas por causa dos dragões... mas essa já é uma outra história, para uma outra crônica.

sábado, 10 de novembro de 2007

Porto Alegre, Feira de Livros, Passeios, Autores...

Ir para Porto Alegre é fácil: sair de lá é que é difícil! E não estou me referindo apenas ao pesadelo que foi enfrentar atrasos em aeroportos e o caos em Congonhas e Guarulhos. O difícil é deixar aquela terra saborosa e cheia de amigos!

Fui este ano pela primeira vez à Feira do Livro de Porto, que acontece a céu aberto na Praça da Alfândega. Essa feira tem 53 anos, é só um ano mais velha que eu, e a experiência gaúcha em fazer esse tipo de evento se mostra nos detalhes. Livros que não acabam mais, crianças e jovens lotando as ruas e os galpões do Cais do Porto, onde se localizam as editoras de obras infantis e juvenis. Organização à toda prova, e autores de todos os cantos desse Brasil.

Tive a alegria de reencontrar e bater longos papos com escritores amigos de longa data, como Regina Drummond, Anna Cláudia Ramos, Ricardo Azevedo, Caio Ritter, Wagner Costa... e conhecer novos amigos, como os autores Hermes Bernardi Jr., Lenice Gomes e a cara Ieda de Oliveira, dona de um alto astral que me contagiou! Sem esquecer o reencontro com as amigonas Elaine Maritza e Nóia (só por telefone, mas deu pra matar as saudades da Nóia!). E falta ainda mencionar o pessoal da Ed. Ática-Scipione com quem estive: o Volnei, o Guerra, o Marcelo, a Adriana...

Como minhas idas ao Rio Grande do Sul, apesar de freqüentes, são corridas pelos apertados horários de trabalho, foi só desta vez que minha visão de Porto Alegre conseguiu se ampliar um pouco: agora não conheço mais apenas o aeroporto e o hotel!

Ciceroneada pela Regina, passei pela Bela Vista e conheci as igrejas de Santa Terezinha e a Catedral; vi o verde da Redenção e do Parcão; entrei no delicioso Teatro São Pedro e andei pelo Brique. Em companhia da Ieda, visitei o Mercado Municipal; e trocando idéias com a Lenice fiz o passeio de barco pelo rio Guaíba... Com o jovem Tiago, jogador de RPG e editor da Revista Digital Nível Épico, fui conhecer a Casa de Cultura Mário Quintana. O tempo colaborou e o calor se fez espantoso, com um céu azul de estarrecer e um sol de ferver a água do chimarrão.

Após as palestras e entrevistas, nos dias seguintes pude ir a Canoas, visitar colégios e autografar livros para crianças, além de visitar Lajeado e a Feira do Livro de Estrela, cidade acolhedora onde tive a alegria de conhecer o grande escritor Moacyr Scliar, com quem fiz a viagem de volta a Porto Alegre. Inesquecível a simpatia e a generosidade desse imortal (afinal, pertence à ABL!), que me contou histórias curiosas e peculiaridades de Porto Alegre e seu povo. Além de autografar um livro para mim, é claro!

De volta a São Paulo, já estou com saudades do churrasco e do calor daquela terra. Sei que já peguei muita chuva e frio de 0 graus por lá, mas o calor humano compensa, e muito, os eventuais invernos.

domingo, 4 de novembro de 2007

Loyola, São Luís, Livros e Bienais

Anteontem, no Caderno 2 do Estadão, o escritor Ignácio de Loyola Brandão – um dos sujeitos mais lúcidos que escrevem nestes nossos dias – publicou uma crônica falando sobre a 1ª Feira de Livros de São Luís. Acho todas as crônicas do Loyola saborosas e enriquecedoras para a alma; mas nesta, em particular, apreciei as palavras que descrevem São Luís e sua feira.

Estive em São Luís há dez anos, lançando meu livro Onde foi parar a luz da manhã?

Como Loyola, eu me extasiei com a beleza da cidade e a avidez por leitura do público ludovicense (mais uma que eu aprendo !) E não posso deixar de citar as palavras do cronista: São Luís é Patrimônio Histórico e o povo carinhoso recebeu com afeto os escritores e compareceu com entusiasmo à feira, muito bem localizada. Os maranhenses escolheram um lugar acessível a todos, bem servido por linhas de ônibus, diferente de São Paulo e do Rio de Janeiro. Também diferente foi a gratuidade. Ali não se pagou para entrar e ver livros, esse hábito detestável da bienal paulista.

Acertou na mosca o simpaticíssimo autor de Não verás país nenhum, livro que relançou há pouco e no qual tive a alegria de receber o autógrafo do autor. Está na hora de os profissionais da área questionarem a cobrança de ingresso ao que deveria ser uma grande festa de livros e público, mas que os caros ingressos – e os abusivos preços de estacionamento – tornam acessível apenas a uma parcela mínima do povo paulistano. Não se justifica cobrar para que se entre num pavilhão e se olhe vitrines e prateleiras lotadas de livros, tendo gastado com a entrada o que poderia ser dispendido com as leituras. Aí está o exemplo de São Luís, divulgado pelo Loyola, de que é viável, sim, fazer-se uma grande feira com o ingresso liberado a todos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Vou pra Porto, bah, tri-legal!

Meu livro HQs, quando a ficção invade a realidade será lançado dia 7 de novembro, quarta-feira, na Feira do Livro de Porto Alegre.
O horário é 16 horas, no espaço das editoras Ática-Scipione.

Porto Alegre é uma cidade linda. Chegar lá de avião e sobrevoar
o Guaíba é uma delícia... Em Porto já morri de frio, com 0 graus e
manhãs enevoadas lembrando o fog de Londres.
Mas, com frio ou sem frio, a cidade é surpreendente
e o povo é extremamente caloroso. Tenho amigos queridos por lá!
Espero rever todos e matar as saudades do povo do chimarrão...