terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Sobre um certo Pão Feito em Casa...

Quando recebo um pagamento de direitos autorais que não chega a vinte reais, quando alguma editora fica mais de um ano sem pagar os royalties sobre as vendas dos meu livros, quando minha conta vai para o negativo, eu penso em desistir de ser escritora.
Para quê pesquisar, estudar, esfalfar-se por meses e até anos em cima de um livro, se muitas pessoas acham que ser escritor não é uma profissão "de verdade", que escrever historinhas é "tão fácil", que pagar 30 reais por um livro é absurdo, caro demais - sem nem imaginar que desses 30 reais o autor recebe por volta de 2 reais, e olhe lá!

Nesses momentos, eu, que não tenho outra profissão - sou escritora e ponto final, dependo das vendas dos livros para viver  - começo a imaginar alguma nova forma de sobreviver, aos 59 anos, tendo sido autora por 29 desses anos... E, quando menos espero, recebo uma resenha de livro que me faz ter, de novo, confiança na profissão. Vontade de escrever mais. De não parar nunca!
Foi o que me aconteceu, ontem, ao receber a opinião do jovem Rafael Alves, blogueiro que escreve para o site "Pela Toca do Coelho", sobre meu livro Pão Feito em Casa...
Com a palavra, o blogueiro Rafael:
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Pão feito em casa é um livro incrível. Juro. Eu geralmente gosto da maioria dos livros, mas esse é um daqueles livros que me comovem de uma forma encantadora e que faz apegar-me aos personagens. Os personagens têm personalidades que a principio você pensa serem frágeis por conta dos acontecimentos ocorridos com eles e as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, entretanto, ao decorrer do livro você percebe que na verdade eles são mais fortes do que sequer imaginam. E eles descobrem essa força a partir do momento em que ela flui com o passar da história, assim como o amor, a afeição, a coragem e a lealdade. Inicialmente, os personagens são reservados e muito conservados e a autora trabalha muito bem o desenvolvimento deles, originando a metáfora do pão. Eu me encantei com isso. A ideia de que os personagens crescem em todos os aspectos como um pão feito em casa... Isso é genial. Digo, pense que você tem todos os ingredientes e aos poucos você os mistura e os prepara bem. Os personagens são assim, você tem o Tob, Ric e Ari (ai, como eu amo esse trio ) e os juntam com a senhora Cármina, que tem uma forte índole. Sendo assim, eles vão vivenciando diversas situações juntos das quais, sem que quisessem e como bem é a reação química entre os ingredientes, eles se unem. Há uma parte do livro da qual eles passam por uma terapia, a de socar a massa do pão, e eles descontam é a raiva deles no pão. Eles demonstram toda a amargura e sentimentos reprimidos dentro deles nesse momento e os liberam, os deixam ir. Assim como você sova o pão quando o soca para que a massa fique bem macia depois, pois você alivia e desenvolve todo o glúten ali reprimido. O ápice do livro é o ápice do pão. Quando o pão fica no ponto, nossos personagens tomam a corajosa atitude de enfrentar os bandidos, o porquê disso? Isso é narrado ao final. Porque eles se importam o suficiente para proteger uns aos outros, porque eles se desfizeram de toda a amargura e se entregaram ao amor e afeto. Assim como um pão preparado com carinho e feito no ponto. É um livro educativo, instrutivo e cheio de valores e lições. Três jovens, uma receita e alguns segredos me ensinaram como o amor pode surgir dos momentos mais difíceis. E eu sou muito grato por ter uma obra como essa na minha prateleira.
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Para saber mais sobre esse livro, clique em:
http://rosanariosliterature.blogspot.com.br/2012/12/pao-feito-em-casa-homemade-bread.html

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Um comentário:

Bruna Manoéli disse...

Rosana! Em 2015 eu comprei o livro "Pão feito em casa", quando tu foi patrona da feira do livro aqui em Nova Hartz, tiramos até uma foto juntas, a benção que é o Instagram não me fez perde-la. Eu mudei de casa duas vezes, e ainda tenho o livro, eu tinha lido só umas dez páginas e nessa época o livro não me prendeu, ontem a tarde olhei pro meu nicho e vi aquele livro bonito e eu estava sem internet e decidi ler, eu amei. Não é qualquer história que me prende, eu amei de verdade o teu livro, li ele todo pois não conseguia mais parar. Também refleti sobre como é desvalorizado o escritor aqui, tinha coisas que eu realmente não tinha conhecimento e acredito que tu também teve que pesquisar para escrever, pensei em quanto tempo e criatividade custa. Parabéns pelo teu livro maravilhoso, já estou a procura de outras obras tuas pra me maravilhar!